Meu relacionamento de seis anos desmoronou por entre os meus
dedos, sem eu nem ao menos perceber quando foi que eu deixei de me importar.
Eu sei que é difícil acreditar que uma relação de seis anos
possa ter dado errado, devido ao duradouro tempo, mas certas coisas já brotam
em um terreno instável e irregular e tendem a esmorecer com o tempo, longo ou
não. Alguns pesam relações medindo forças entre o que sobrou de bom e aquilo
que de ruim lhe foi imposto, mas é complexo definir o que de fato foi bom devido
à presença do outro ou apenas devido ao momento, independendo com quem o fosse,
o que vale também para a infinidades de momentos tristes a que qualquer relação
está sujeita. Contudo, o que de fato importa é o quanto o outro o afasta da sua
essência e lhe rouba sua subjetividade, ou mesmo o quanto outrem destrói seus
sorrisos e sonhos e o apreende em um emaranhado de culpas e precisâncias, que
no fim pouco importam ou valem, mas que mesmo assim aprisionam e amedrontam. No
fim, a solidão a dois é asfixiante e você percebe que não sente falta mais de
uma pessoa, mas de um alguém que lhe abrigue em dias nublados e que lhe eleve
em dias de sol. Um alguém, qualquer alguém.
Então, em uma tarde chuvosa, questiono: de seis, quantos
anos foram vividos com amor (amor?) e quantos foram frutos de rotina,
necessidade e carência? Já não mais importa, naquele milésimo de segundo, em
que um 'sim' ou um 'não' podem mudar o destino das almas para sempre, a escolha
foi, enfim, exteriorizada.
Vazio. Vazio. Vazio. Não aquele vazio que pode ser
preenchido, mas um vazio que assusta justamente pelo fato de ser impreenchível.
Um vazio que guarda a solidão. Um vazio que pressente o medo - medo de não ter.
Um vazio egoísta, que insiste em lembrar tudo que foi perdido, e que faz falta.
Mas não o que de fato foi perdido, mas aquilo que nunca se teve, apesar da
ansia de se ter. Então você lembra de uma voz tranquila em noites turbulentas,
um abraço terno em tardes solitárias, um beijo carinho e palavras confortantes,
quando nada mais parecia ter sentido. E você, só então, em uma epifania
estarrecedora, percebe que você não sente falta do que já não existe, mas do
que nunca existiu, do que era só sonho e do que fez aqueles seis anos
perdurarem tanto e se esfacelarem em segundos, a ansia desesperadora de ter e a
frustação desoladora de nunca ter tido.
Ei, deu certo por 6 anos! Se por ironia do destino ou pela conveniencia do momento acabou é porque, pelo menos por hora, vai ser melhor assim! E já dizia o poeta: sou metade vazio que só o tempo pode preencer...
ResponderExcluirCada hora tu me surpreende com uma frase mais impactante!
ExcluirTu diz a mais pura verdade.
Grande beijo.
"[...]Contudo, o que de fato importa é o quanto o outro o afasta da sua essência e lhe rouba sua subjetividade, ou mesmo o quanto outrem destrói seus sorrisos e sonhos e o apreende em um emaranhado de culpas e precisâncias, que no fim pouco importam ou valem, mas que mesmo assim aprisionam e amedrontam. No fim, a solidão a dois é asfixiante e você percebe que não sente falta mais de uma pessoa, mas de um alguém que lhe abrigue em dias nublados e que lhe eleve em dias de sol. Um alguém, qualquer alguém[...]"
ResponderExcluirO famoso: "antes acompanhado do que só", ás vezes é mais fácil estar com algo que não vale á pena e até chega a faz mal do que mudar..
Não sei se é o caso, mas essa situação lembrou-me um trecho:
"[...]quando você nao esta feliz onde esta e nao tem muita certeza se quer sair, encontra-se no meio tempo. Fica se segurando com medo de cair, sem querer se machucar, com medo de machucar a aoutra pessoa. Resa para que a outra pessoa vá embora primeiro para não ter que arcar com a culpa[...]"