Nos encontramos por acaso mesmo, pelo menos era assim que eu prefiria imaginar, que alguma força maior nos uniu além de nossas próprias vontades.
Eu, apenas sentado naquela mesa bamba do quiosque, que sobre estava cheio de cacos do último copo que tentei tomar. Ele me apareceu! Aquele rosto, aquela visão. Sentou-se na mesa ao lado, pediu uma Skol e logo após o primeiro gole acendeu um Carlton; aquele rosto desconhecido e atraente, talvez até por ser desconhecido se tornara mais atraente, lábios secos, talvez pela secura do cigarro que bambeava de um lado ao outro, ou pela cerveja que ainda não havia chegado.
Como sempre nos meus estados de euforia, cantarolei uma música de cazuza; o que chamou a atenção dele que em seguida me acompanhou em sintonia na música: - Vida louca vida, vida breve... - Logo o chamei para se sentar junto à mim, sem muito pensar, agarrou o copo e a carteira de cigarros em uma mão, e a lata que ainda estava na metade na outra.
-Quer dizer que tu curte cazuza?
-Com certeza, embalou minhas baladas enquanto tu estava nascendo!
-Quantos anos acha que tenho?
-15? 17!
-Acertou. E você?
-26
-Já está na idade santa! Janis, Jim, Jimmi, James Dean...
-Não me importaria em morrer agora, só quero poder apagar meu cigarro no cinzeiro e pedir uma dose de Uísque.
Podia estar quente, o suor podia escorrer, o ventilador soprava um bafo mas tudo o que eu queria era poder continar envolto naquele que sempre me acolheu quando eu tive medo antes de dormir, que me deu conforto e companhia quando eu me sentia sozinho, e a unica coisa que precisava era algo me abraçando.
Cômico não? Não! Isso só significa algo para quem vive este medo de dormir sem seu cobertor, sem seu eterno protetor, que sempre te livrou de todos os perigos que o cair da noite em uma cama solitária podia trazer.
Nenhum comentário:
Postar um comentário